Internet via a Cabo

Introdução

Internet Cabeada DnBR – Floraí/PR

O uso da rede de telefonia convencional para o acesso `a Internet tem-se mostrado limitado, uma vez que as mesmas não foram dimensionadas para as características de trafego de rede, tampouco para abarcar o crescimento que estas tem apresentado. Tais redes foram dimensionadas para chamadas com duração media de 3 minutos, enquanto que o uso para acesso aos serviços Internet eleva este valor para cerca de 30 minutos.

Com uma malha bem distribuída e uma capacidade de transmissão, sob condições ideais, em torno de 30 Mbps, as TVs a cabo aparecem, neste cenário, como uma solução promissora dos problemas acima apontados.

Equipamentos e Velocidade de Acesso

O dispositivo que permitirá o acesso rápido a dados na Internet, via TV a cabo, é o cable modem.

Tal equipamento, tipicamente, apresenta duas conexões: uma para a conexão da TV a cabo, e a outra para o equipamento (PC). Neste caso, a tecnologia Ethernet 10BaseT parece ser a mais promissora na utilização da conexão com o computador, pois modems internos implicariam em mudanças profundas na arquitetura dos diferentes computadores. Alem de atuar como um modem, modulando e demodulando sinais, o cable modem pode trabalhar com criptografia, atuar como uma bridge ou roteador, como um agente SNMP, como um hub, etc.

A grande propaganda feita pelos fabricantes destes equipamentos é que, com este tipo de conexão, a aquisição de informações de serviços on-line é cerca de 700 vezes mais rápida do que se consegue utilizando os mais rápidos modems caseiros disponíveis no mercado. Alguns chegam até a anunciar uma velocidade em torno de 30 Mbps que, embora seja factível, so’ pode ser alcançada sob condições muito especiais.

Embora haja um grande exagero nos números apresentados acima, uma vez que a velocidade de acesso dependerá de fatores múltiplos (quão rápido o PC pode lidar com trafego IP, a interface do PC com o cable modem, a velocidade deste equipamento e o grau de utilização da rede a cabo e, ainda, a velocidade do link entre a operadora e a Internet), estudos indicam um valor próximo de 1,5 Mbps. Tal valor poderá ser incrementado se a operadora faz uso de uma política de “caching” de Web e de news, como é a pretensão de algumas.

Mesmo com um valor vinte vezes menor do que o propagandeado, o serviço oferecido pelas operadoras de TV a cabo ainda apresentam uma excelente relação custo-beneficio. Acesso a 1,5 Mbps a um custo entre 50 e 100 dólares (mercado americano) ainda é uma excelente alternativa se compararmos, por exemplo, com os 128 Kbps oferecidos pela tecnologia RDSI ou o valor de 1.500 dólares cobrados por um canal T1 (novamente, considerado o mercado americano), ou cerca de R$ 6.000 no Brasil (preço de um canal E1 urbano)

Atualmente, existem dois grupos de trabalho do IETF que trabalham com o oferecimento de serviços de transporte de dados via redes de TV a cabo. são eles: o 802.14 WG, cuja principal preocupação é em especificar os protocolos de nível físico e de enlace; e o ipcdn WG (“IP over Cable Data Network”), cuja meta é definir padrões para a o oferecimento de serviços IP (protocolos de níveis mais altos) através de redes de TV a cabo. Assim, este ultimo grupo estaria ainda preocupado com aspectos como gerenciamento de rede, mapeamento e resolução de endereços (IPv4 e IPv6), uso de criptografia, etc. É esperado que este grupo conclua seus trabalhos em dezembro do corrente ano. Daqui para lá, vários protocolos deverão estar sendo propostos.

As operações do cable modem dizem respeito a características adicionais que tais equipamentos podem ter, como a possibilidade de detectar um ambiente de rede local. O custo de tal equipamento deve ser competitivo com os modems tradicionais. Uma outra opção e cobrar um aluguel pelo seu uso que já viria embutido na própria conta do uso de Internet sobre o sistema de TV a cabo.

Alem disso, as companhias telefônicas estão investigando ativamente a tecnologia ADSL (“asymetrical digital subscriber line”), que permite o transporte de dados a velocidades de até 9 Mbps usando a infra-estrutura existente, ou seja, as próprias linhas telefônicas baseadas em fios de cobre.

Há, ainda, outras questões de ordem técnica e jurídica, mas que tendem a ser resolvidas em um futuro próximo.

Conclusões

É indiscutível que a tecnologia de TV a cabo pode muito contribuir em relação a melhoria do acesso aos serviços Internet, e, indiretamente, ajudar no descongestionamento dos canais de voz, saturados também pelo uso para transferência de dados.

Embora haja um exagero por parte das operadoras de TV a cabo em relação a velocidade de acesso, um valor mais próximo do real de 1,5 Mbps ainda é bastante convidativo. Principalmente, enquanto a tecnologia ADSL, prometida pelas operadoras de telecomunicação, ainda não se desenvolve.

Há uma serie de experimentos sendo executados em todo o mundo e obtendo bons resultados na área. No Brasil, um experimento realizado em conjunto pela Unicamp, DEC e Prefeitura de Campinas, que visa interligar escolas municipais, já está no ar há mais de um ano.